Léa Martins Brito
Léa Martins  


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01/12/2011 12:44
Olá, meu blog!
Hoje sentei em frente ao computador. Olhei para a tela, não, não! Olhei mesmo foi para a folha virtual e branca do Word 2007, pensando no que meus dedos iriam digitar.
Pensei em escrever sobre o meu blog (acabei de visitá-lo!). Vi a data do último texto postado: 06/01/2011, às 18:43 e percebi o quanto de tempo que eu não escrevo livremente sobre nada. Fiquei triste, envergonhada mesma. Eu que tanto gosto de escrever, de fazer registros textuais sobre quase tudo. Uma pessoa como eu que já fiz da internet, do antigo Orkut, do agora FaceBook, um “diário” íntimo, agora, não escrevo texto de mais de três linhas.
Mais aí, paro de digitar esse texto aqui e penso:
- Digitar mesmo sobre o quê? Aí, mentalmente, me corrijo.
- Léa, não é digitar sobre o quê. É ESCREVER sobre o quê!
É. O mundo virtual e cibernético está tão intrínseco em minha vida que até a minha forma de escrever sobre o escrever já mudou o meu conceito de operária de texto.
Que lê estas minhas linhas textuais, com certeza, vai pensar que eu estou ou doida ou não escrevo mais com nexo algum as coisas que escrevo. Deixa para lá.
Observo as linhas que já escrevi e percebo que passei das três linhas. Consegui a proeza de digitar (Pai do Céu, de novo esse tal de digitar!), escrever alguns parágrafos. Então, assim, penso eu, agora posso dizer que fiquei feliz de novo.
Voltando ao assunto do início do texto, sobre minha “visita” ao meu blog. Antes de “vê-lo” mais uma vez, a minha intenção era findá-lo. Pensei em desativar o blog. Para ser mais exata e usar a palavra certa: queria excluir o blog. Mas, antes de fazê-lo, comecei a ler antigas postagens. A primeira, a última. Vi foto, lembrei da época em que o iniciei...Resolvi que não vou deletar nada, vou deixar do jeito que está. Quem sabe, um dia, meus filhos não o vejam e, de alguma forma, este blog revele para os meus a pessoa que eu fui...
Então, caro blog, fique sabendo que você será uma espécie de herança virtual e textual para os meus rebentos. Os textos são pobres realmente, mas são meus escritos. Da minha autoria. E, de vez em quando, eu própria vou querer olhar você, relembrar antigos textos. Por isso, tudo deve ficar como se encontra. Decisão tomada. Ação feita. Até a próxima, meu querido blog-diário.


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06/01/2011 18:43
QUATRO ANOS
Em 2011, o blog completa quatro anos. Quando o criei não pensei que ele duraria tanto, pelo menos acho quatro anos, um bom tempo de existência. No início, eu postava com mais regularidade. Semanalmente colocava pensamentos, fotos, protestos, piadas, letras de músicas, textos de outros autores, etc. Com o tempo, as coisas foram minguando, pois minha vida foi passando por mudanças como casamento, nascimentos de filhos (grandes e maravilhosos acontecimentos em meu viver ocioso, né?). Bem, retornei com as postagens no final do ano passado e ainda não é nem a sombra do que foi um dia ou deveria ser, mas estou tentando. Hoje, por exemplo, estava pensando num tema para escrever e lembrei a data de nascimento do blog e aqui estão essas mal traçadas linhas. No mais, prometo mais assiduidade. Até o próximo post.
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04/01/2011 19:35
Para mim mesma
Nada de notícias do cotidiano, nem de versos e prosas. Nem mesmo de letras musicais. Apenas e somente esse texto abaixo para minha pessoal reflexão.

ODIANDO O MUNDO E AMANDO A TERRA! — Caio





Sigo Jesus pelas mesmas razões de Pedro: “Só tu tens as Palavras da vida eterna”!

Sigo Jesus pelas mesmas razões de Paulo: “Cristo em nós é a Esperança da Glória”! E também “porque se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”!

Sigo Jesus pelas mesmas razões de João: “Deus é amor”... e quem ama conhece a Deus e já tem a vida eterna presente em si mesmo...!

Sigo Jesus pelas mesmas razões que Jesus me disse para segui-Lo: “Aquele que me ama, esse tem os meus mandamentos e os guarda, e meu Pai o amará, e eu me manifestarei a ele”.

Não sigo a Jesus para reinar em vida [entenda-se “reino” por conquista], mas para servir em vida[para Jesus o “reinar em vida” é provar os “poderes do mundo vindouro” no tempo/espaço]; e isto apenas para servir os filhos e principes disfigurados do reino de Deus [ou dos céus] nesta dimensão...

Não sigo a Jesus para me mostar diferente dos homens, mas sim para entre os homens tornar-me um dos mais humanos...

Não sigo a Jesus para mudar o mundo, mas sim para odiar o mundo amando indivíduos...

Não sigo a Jesus para mudar a História, mas para ter a minha vida mudada na História do meu coração... — minha única chance de mudar a História!...

Não sigo a Jesus em razão do céu e nem do inferno, mas sim em razão dos Seu Fascínio Divino/Louco/Absoluto/Absorvente/Delirante/Lucido/Vitorioso/Supra-Mortal/Eterno... — em mim!

Não sigo a Jesus olhando para o Mundo!

Não! Sigo-o olhando a Eternidade, sem fuga e sem escapismos, porém, sem a ilusão de que minha Patria esteja em qualquer lugar que não seja o céu; e, além disso, vejo-me no Mundo como um transeunte apressado e feliz; não carregando comigo nada além do bordão, das sandalias, e do poder de levar paz, de curar, de expulsar demonios, de levantar mortos..., sim, enquanto os leprosos são purificados!

Entretanto, essa não esperança mundana..., nada rouba de mim!

Paulo sentia e confessava assim... No entanto, ninguém pisou mais o chão da realidade do que ele; sem evasões da existência!

Na realidade, até hoje, entre todos os que tentaram — apesar da “perversão” de Sua mensagem pela “igreja” — ninguém mexeu mais no mundo do que Jesus!

Ele mexeu no mundo justamente porque ficou de fora de suas engrenagens!...

A “Igreja”, todavia, não mudou o Mundo por não amar os humanos; antes amar os Poderes do seu Principe!...

Para poder ser sal da Terra, dos homens, da vida, da existencia — tem-se que, paradoxalmente, ser Luz do Mundo.

O Mundo é uma categoria em trevas e sem sabor! Jaz no Maligno!...

A Terra, porém, tem esperança...; pode gostar do gosto do amor... O Mundo, porém, não vive de esperança, mas apenas de poder e volupia.

A Terra espera e geme por Redenção!

O Mundo mata por Poder e Controle!

Por isto, a fim de ser Luz no Mundo, tenho que me diferenciar dele por completo...

Já para ser Sal da Terra [...] tenho que mergulhar no Planeta dos Homens e da criação...

Todavia, para que minha Luz brilhe no Mundo, tenho que me diferenciar dele, enquanto me indentifico com a Terra segundo Jesus!

A Terra é boa, tendo sido amaldiçoada por causa do Mundo!

O Mundo é o homem; a humanidade arrogante...

Terra é vida, é criação, é ambiente jardim...

O problema da Terra é o mundo!

Nunca desistirei da Terra e dos humanos que amam a vida; mas não tenho nenhuma energia para alimentar o Mundo!...

Com o Mundo estou em guerra...

Com a Terra estou trabalhando na culinaria da vida, com o Sal do Céu!

No Mundo minha existência é embate da Luz com as Trevas!

Na Terra é a missão de restaurar o sabor!

Mas para isso é preciso que haja Luz em mim, no meu olhar, no meu interpretar em amor. Minha guerra de Luz contra o mundo é praticada com as armas do Amor. Luz e Amor são a mesma coisa segundo João, na 1ª Epístola.

Já a minha relação com a Terra é de muita delicadeza, como a de uma cozinheira preparando um banquete; sobretudo temperando tudo com Sal-amor!

O Mundo tem que acabar para que surja o Novo Céu e a Nova Noiva Terra!

Eu, todavia, quero ser encontrado lutando por homens, pela verdade que une, pela justiça de Deus, pela criação, pelo Templo da Terra de Deus!

Assim, sou inimigo do Mundo por amor a Deus e aos homens que no mundo amam a vida; e sou amigo da Terra por amor a Quem a criou para a vida, incluindo a vida dos humanos!

O Mundo está perdido juntamente com seu Príncipe!

A Terra, porém, está Grávida Daquele que haverá de reger as nações com o cetro de Sua boca!

Quem ama a Terra ama os homens e toda criação!...

Quem ama o mundo ama os Poderes do Príncipe das Trevas!

Decida de uma vez por todas quais são os seus amores!

Mas lembre: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”.

Algo mais a inventar?...

Ora, chega!



Nele, que venceu o mundo,



Caio

26/12/2010

Lago Norte

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23/11/2010 13:37
Quebra de silêncio


Sempre fui uma pessoa combativa. Na juventude, fazia questão de me envolver em causas que considerava sociais e justas. Sempre tinha argumentos em prol dos fracos e oprimidos. Sempre e sempre apoiava os que considerava “fracos”. Injustiçados tinham em minha pessoa uma advogada incansável.

Estranhamente, quando cheguei à faculdade me calei. Fiquei intimidade por encontrar tantas e tantas vozes contra as injustiças sociais. Calei. Na verdade entrei e sai calada da universidade.

Hoje, quando encontro ou sei de algum fato desabonador relacionado às vozes discordantes das injustiças sociais me calo também. Na verdade, Vivo calada. Tão calada que me assusto comigo mesma.

Até nesse blog eu ando calada. Já notaram algum texto sobre política, economia e afins nesse espaço? Pois é o meu silêncio continua firme comigo.

Então para que escrevi esse texto? Para desabafar.

E para pensar: se sou jornalista, se tenho opinião, se leio tantos e quantos jornais me chegam à mão, se acompanho blogs, sites de notícias, se leio os debates de outros jornalistas... Posso continuar calada? Se a voz já não é combativa, quem sabe os dedos o são, não é?

Penso que a internet é terreno livre e fértil para quem quer desabafar não é? Então fica aqui, o meu.


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09/11/2010 12:19
Calem a boca, nordestinos! (corrigido)

Por José Barbosa Junior
A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”



Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!



José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.


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08/11/2010 12:46
Divagações
Todos as manhãs faço a mesma coisa: navegar por sites de notícias e blogs afins. No final do dia, estou deprimida. Infeliz comigo e com o próximo. A quebra da rotina só acontece quando encontro os meus filhos (felizes em sua pouca idade!) estão sempre alheios à minha infelicidade virtual. Melhor para mim. Melhor para eles.
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11/10/2010 11:42
Um dia Inesquecível II



Quando resolvi escrever as experiências do meu primeiro parto, não imaginei que um ano e meio depois narraria as experiências do segundo. Pois é, cá estou aqui de novo, para contar como foi o segundo “Dia Inesquecível” da minha vida.

A notícia da segunda gestação chegou quando todos ainda perguntavam se eu queria ter mais um filho. Mariana, a minha bebezinha linda, foi concebida quando o irmãozinho Lucas tinha apenas nove meses de vida.

A gravidez de Mariana foi tranqüila. E, a exemplo de Lucas, ela também decidiu vir ao mundo numa sábado, véspera do Dia das Mães. As contrações começaram às 6h da manhã. Mas só fui buscar socorro médico às 11h, depois da pressão do marido e familiares. A médica que me atendeu disse que eu estava apenas com dois centímetros de dilatação e recomendou aguardar a evolução do TP em casa.

Voltei para casa, almocei e ainda tentei brincar com Lucas que, no seu um ano e meio de vida, me dava força estando sempre ao meu lado. Lembro que quando chegou a hora de voltar à maternidade, ele quis chorar e se agarrou em mim para ir junto, nessa hora minha sogra o pegou no colo e se afastou.

Na maternidade, fui encaminhada para a sala de pré-parto. Estava com sete centímetros de dilatação e com poucos intervalos entre as contrações. Para acelerar o parto, o médico resolveu romper a bolsa com um palito e uma enfermeira aplicou soro com ocitocina (hormônio para acelerar as contrações). Com nove centímetros de dilatação, me levaram para a sala de parto e fizeram a episiotomia (corte no períneo), só não contava com uma coisa: a demora de Mariana no canal de parto.

Todos na sala mandavam fazer força, eu fazia, mas nada da menina nascer. Ouvi o médico dizer que apesar da minha bacia ter uma boa passagem, o bebê estava alto, por isso, um assistente fez pressão com o braço sobre minha barriga. Após várias tentativas Mariana nasceu, pontualmente, às 18h05min.

Depois daquele trabalho todo, pensei que iriam trazer minha filha para ficar comigo. Mas o que fizeram foi me colocar em um corredor frio, onde fiquei por duas horas, até que mandaram um maqueiro me levar para a enfermaria.

Lá, encontrei minha cunhada e pedi que ela fosse buscar notícias de Mariana. Uma assistente social informou que minha filha havia apresentado um “cansaço” ao nascer e que por isso iria ficar durante toda noite na UTI Neo-Natal.

Só fui conhecer minha linda e grande Mariana, ela nasceu com mais de 4Kg e 52,5 centímetros, no Dia das Mães. Logo que a segurei no colo ofereci o peito que ela pegou imediatamente. Foi nesse momento que notei sua mãozinha com agulha e esparadrapo. À noite, uma enfermeira trouxe duas ampolas de medicação para ela, perguntei a razão daquilo, mas ela não me respondeu.

No dia seguinte, que pensei ser o da alta, uma médica informou que Mariana havia apresentado um quadro de pneumonia ao nascer e por conta disso teríamos de ficar dez dias internadas. Nesses dias, recebemos várias visitas e Isaias trouxe Lucas duas vezes para eu matar a saudade dele. Sempre que ele ia embora, eu chorava.

No dia da alta, na volta para casa, Isaías e eu oramos agradecendo a Deus pela saúde de Mariana e por tudo ter dado certo no parto.

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21/09/2010 13:02
Enfim, de volta!
Eita! Passei vários meses afastada deste blog, mas estou de volta. Novidades? Sim, inúmeras. Como o aumento da família. A mais nova membra (isso existe?) da minha linda família nasceu dia 08/05/2010, pesando quatro quilos e medindo 52,5cm. É morena, bela e linda. O nome é Mariana e meu pedido a Deus é que seja muito e muito feliz. Olhem só a foto e confiram se a mamãe aqui fala a verdade ou não.
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09/02/2010 17:55
E S T E S I M, É O CARA !


"Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais, observar o Código de Ética, objetivando o aperfeiçoamento da Ciência da Administração, o desenvolvimento das instituições e a grandeza do homem e da pátria".

Uma atitude tão nobre , um senso de coletividade tão grande como a deste Brasileiro tem de ser divulgado e aplaudido . O bem ainda vence !!!!


Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.

Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares, 3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.
'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.
Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada..'

Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.

Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.'

ESTE MERECE NOSSOS APLAUSOS!




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15/01/2010 16:25
Paradoxo do nosso tempo


George Carlin


"Nós falamos demais,
amamos raramente,
odiamos freqüentemente.
Nós bebemos demais,
gastamos sem critérios.
Dirigimos rápido demais,
ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados,
lemos muito pouco, assistimos TV demais,
perdemos tempo demais em relações virtuais,
e raramente estamos com Deus.

Multiplicamos nossos bens,
mas reduzimos nossos valores.
Aprendemos a sobreviver,
mas não a viver;
adicionamos anos à nossa vida
e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua,
mas temos dificuldade em cruzar a
rua e encontrar um novo vizinho..
Conquistamos o espaço,
mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores,
mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,
mas não nosso preconceito;
escrevemos mais,
mas aprendemos menos;
planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar
e não, a esperar.
Construímos mais computadores
para armazenar mais
informação,
produzir mais cópias do que nunca,
mas nos comunicamos cada vez menos.

Estamos na era do 'fast-food'
e da digestão lenta;
do homem grande, de caráter pequeno;
lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos,
vários divórcios,
casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas,
fraldas e moral descartáveis,
das rapidinhas, dos cérebros ocos
e das pílulas 'mágicas'.
Um momento de muita coisa na vitrine e
muito pouco na dispensa.

Lembre-se de passar tempo com as
pessoas que ama, pois elas
não estarão aqui para sempre.

Lembre-se dar um abraço carinhoso
em seus pais, num amigo,
pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua
companheira(o) e às pessoas que ama,
mas, em primeiro lugar, se ame.
Um beijo e um abraço curam a dor,
quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize sua familia,
seus amores, seus amigos,
a pessoa que lhe ama,
e, aquelas que estão
sempre ao seu lado."






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27/08/2009 17:50


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26/08/2009 16:54
JABOR: O ESPETÁCULO SÓRDIDO DA POLÍTICA BRASILEIRA

Como comentar isso tudo? A indignação ficou insuficiente, o escândalo está desmoralizado, a vergonha está cansada. Não há mais filme de horror, não há filme pornô igual a isso que vemos.

Veja o comentário de Arnaldo Jabor no Jornal da Globo

Estamos nos viciando neste espetáculo de sordidez. E isso é ruim, porque a indignação é muda, é paralítica. Porque não se trata mais de netinhos nomeados, nem mensalinhos roubados, nem envelopinhos de empreiteiras, nem de gorgetinhas de macarrão.

Não se trata mais de um problema moral. As instituições estão sendo implodidas por dentro, pelos próprios donos do poder.

Em nome da governabilidade o governo está impedindo a governabilidade. E pior: este circo de anomalias serve para acalmar nossas consciências...

A gente fala: "que horror" e se sente santificado, mas não faz nada. A imprensa está sozinha ameaçada de censura pelos roedores da República...

Quando houve a crise do Collor, a indignação ainda valia. Intelectuais e figuras importantes do país, como Barbosa Lima Sobrinho e outros se manifestaram em bloco.

E hoje? Por que este silêncio dos intelectuais? Onde estão os carapintadas? Onde os manifestos de artistas famosos, das tais celebridades? Onde estão eles, além de exibir sua vida sexual nas revistas e rebolar nas pistas de dança?

Cartão vermelho para a elite pensante do Brasil!

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24/08/2009 16:24
UM EX-FAXINEIRO NEGRO VENCE PRECONCEITO E QUER “LIMPAR” A IMAGEM DO STF



O "bate-boca" entre o presidente do STF, Gilmar Mendes (dono de uma biografia repleta de denúncias de corrupção) e o ministro Joaquim Barbosa (dono de uma biografia invejável) traz a necessidade de esclarecer quem é quem no Judiciário brasileiro.



Um ex-torneiro mecânico pernambucano indicou um ex-faxineiro mineiro para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula escolheu o doutor da Universidade da Sorbonne e procurador do Ministério Público Federal Joaquim Benedito Barbosa Gomes para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O jovem negro que cuidava da limpeza do Tribunal Regional Eleitoral de Brasília está prestes a chegar ao topo da carreira da Justiça após quatro décadas de vitórias contra desigualdades sociais e raciais.



A primeira foi em Paracatu, interior de Minas, onde nasceu numa família de sete irmãos, com a mãe dona-de-casa e o pai pedreiro e, mais tarde, dono de uma olaria. Lá, percebeu que só o estudo poderia mudar a sua história. Já aos 10 anos dividia o tempo entre o trabalho na microempresa da família e a escola. O saber era quase uma obsessão.



- Uma das piores lembranças da minha infância foi o ano em que fiquei longe da escola porque a diretora baixou uma norma cobrando mensalidade. No ano seguinte, a exigência caiu e voltei à sala de aula. Estudar era a minha vida e conhecer o mundo o meu sonho. Adorava aprender outras línguas - contou Joaquim Barbosa numa entrevista em agosto de 2002 para o projeto de um vídeo sobre a mobilidade social dos negros no Brasil.



O domínio de línguas estrangeiras foi a engrenagem para mobilidade social de Joaquim Barbosa. Aos 16 anos, deixou a família e a infância em Minas e foi atrás de emprego e educação em Brasília. Dividia o tempo entre os bancos escolares e a faxina no TRE do Distrito Federal. Um dia, o mineiro, na certeza da solidão, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE. Naquele momento, um diretor do tribunal entrou e achou curioso uma pessoa da faxina ter fluência em outro idioma. A estranheza se transformou em admiração e, na prática, abriu caminho para outras funções. Primeiro como contínuo e, mais tarde, como compositor de máquina off set da gráfica do Correio Brasiliense. A conquista não sairia barato.



- Lembro de uma chefe que me humilhava na frente dos companheiros de trabalho e questionava minha capacidade. No início, foi difícil, mas acabei me estabilizando no emprego e mostrando o quanto era profissional.



A renda aumentou, mas ainda era pouca para ele e a família lá em Minas. Foi trabalhar também no Jornal de Brasília acumulando dois empregos e jornada de 12 horas. Mais tarde, trocou os dois por um. Foi para Gráfica do Senado trabalhar das 23h às 6h da manhã. Depois do trabalho, a Universidade de Brasília. O único aluno negro do curso de direito da UnB tinha que brigar contra o sono e a intolerância.



- Havia um professor que, ao me ver cochilando, me tirava da sala.



Joaquim Barbosa continuava sonhando acordado. Prestou prova para oficial da chancelaria do Itamaraty e passou. Trocou o bem remunerado emprego do Senado por um, que pagava bem menos. Mas o novo trabalho tinha uma vantagem incalculável: poder viajar para a Europa. Durante seis meses, conheceu países como Finlândia e Inglaterra. De volta ao Brasil, prestou concurso para carreira diplomática. Foi aprovado em todas as etapas e ficou na entrevista: a única na qual a cor de sua pele era identificada.



Após esse episódio, a consciência racial de Joaquim Barbosa, que começou a ser desenhada na adolescência, ganhou contornos mais fortes. Ganhou novas cores, quando, já como jurista do Serpro, conheceu o país, especialmente o Nordeste e, em particular, Salvador. Bahia foi uma paixão a primeira vista do mineiro. Foi lá onde Joaquim Barbosa teve um contato maior com o que ele chama de "Negritude".



A percepção de ser minoria entre as elites ficou ainda mais nítida fora do país. O jurista explica que o sentimento de isolamento e solidão é muito forte num "ambiente branco" da Europa. Ser uma exceção aqui e no além mar ficou ainda mais forte após o doutorado na Universidade de Sorbonne. Nessa época já acumulava títulos pouco comuns para maioria das pessoas com a mesma cor de pele: Procurador do Ministério Público e professor universitário. Antes, já tinha passado pela assessoria jurídica do Ministério da Saúde.



O exercício de vencer barreira, de alguma forma, está em sua tese de doutorado, publicada em francês. O doutor explica que o seu objeto de estudo foi o direito público em diferentes países, como os EUA e a França.



- A minha intenção foi ultrapassar limites geográficos, políticos e culturais. Quero um conhecimento que vá além da fronteiras dos países - disse.



"Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite", reagiu Barbosa.







Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o professor da Faculdade de Direito da USP, Dalmo Dallari, professor catedrático da UNESCO na cadeira Educação para a paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, declarou:

«Se essa indicação (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país»

O empresário Gilmar Mendes carrega em sua biografia a denúncia de que foi favorecido com “incentivo” do poder executivo para fundar, em 1998, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma escola privada que oferece cursos de graduação e pós-graduação em Brasília. Desde 2003, conforme consta das informações do "Portal da Transparência" da Controladoria Geral da União, esse Instituto faturou cerca de R$ 1,6 milhões em convênios com a União. De seus nove colegas no STF, seis são professores desse Instituto, além de outras figuras importantes nos poderes executivo e judiciário (não é à toa que ele contou com tanta “solidariedade” no episódio que envolveu a discussão com o ministro Joaquim Barbosa). O Instituto se localiza em terreno adquirido com 80% de desconto no seu valor graças a um programa do Distrito Federal de incentivo ao desenvolvimento do setor produtivo. O subsecretário do programa, Endels Rego, não sabe explicar como o IDP foi enquadrado no programa. O belíssimo prédio do Instituto foi erguido graças a um empréstimo conseguido junto ao Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), gerido pelo Banco do Brasil, cuja prioridade de investimento é o meio rural. Entre os seus maiores clientes estão a União, o STJ e o Congresso Nacional.



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17/08/2009 18:28
Dito não dito



Bem, para começo de conversa, não tenho país, sou apatriada, isso mesmo. Não me chamem de brasileira, sou apatica, apolítica, acultuada e todo os "as" que existirem no dicionário para negar. Só não sou Judas, até porque o tal começa com "J", e aí, de resto, ninguém tem nada com isso!

Sem palavras, uma letra. Alguém que reflita, porque eu não "frito" mais nada!

O Meu País

(Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves)
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo


Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem Deus é quem domina
Que permite um estupro me cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país


Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo em comum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é, com certeza, o meu país

Uhm...
Uhm...

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é, com certeza, o meu país


Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde a escola não ensina
E hospital não dispõe de raios X
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é, com certeza, o meu país

Uhm...
Uhm...

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo


Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura


Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o Brasil em mil brasis
Prá melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é, com certeza, o meu país.

Uhm...
Uhm...

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo 2x
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

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04/03/2009 15:28
Eu e meu filhote lindo!


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04/03/2009 15:26
Um dia inesquecível

Inesquecível. É com essa palavra que celebro o dia 15/11/08, data do nascimento do meu primeiro filho, João Lucas.

No dia 14/11, à tarde, perguntei ao Lucas quando ele queria nascer, se tinha resolvido deixar esse grande acontecimento para o feriado que se aproximava (Dia da Proclamação da República) ou para o domingo. A resposta veio às 6h30min, de sábado, quando senti um incomodo que julguei ser “gases”. Fui diversas vezes ao banheiro e só quando o “incomodo” (que na verdade eram as primeiras contrações) aumentou, às 7h00, chamei Isaías.

Apesar de ter feito o pré-natal na maternidade Marly Sarney, não consegui vaga. Fui encaminhada para a Maria do Amparo. No exame do toque, o obstetra constatou dois centímetros de dilatação e, apesar das dores estarem de matar e de ser 9h00 da manhã, me mandou retornar às 18h30.

Voltei para casa e as contrações só aumentaram. Ao meio-dia, não agüentava mais. Com dó de mim, Isaías resolver levar-me de novo para a maternidade. Desta vez, o exame apontou seis centímetros de dilatação.

Fiquei no pré-parto com mais duas mulheres. Uma gritava horrores. Nem imaginava que horas depois seria a minha vez de gritar daquele jeito! A “escandalosa” foi levada meia-hora depois. A outra mãe também não demorou muito. Apesar de os intervalos entre as contrações terem diminuído, eu estava longe de ser atendida. Toda mulher que chegou depois de mim logo pariu.

Para apressar o parto, as enfermeiras orientavam fazer força, como o esforço para defecar. Não conseguia. Quando as contrações vinham, eu batia nas pernas e coxas para “fugir” da dor. Fui diversas vezes ao vaso sanitário, tomei três banhos. Orei, chamei pela minha mãe e por Isaias. Cheguei até a implorar por uma cesariana! Mas nada fazia melhorar aquilo.

A certa altura, senti a bolsa d’água romper. Avisei ao médico que disse apenas um “bom”. Só três horas depois, quando ele me examinou e viu que eu estava com nove centímetros de dilatação, mandou preparar a sala de parto.

Quando caminhava em direção a sala, veio uma contração forte e me ajoelhei. Cheguei ao local do parto com a convicção de que aquilo se arrastaria pelo resto da noite. Ledo engano. Dez minutos depois, Lucas nascia. Ele precisou ficar numa incubadora, pois havia engolido mecônio. Já eu levei três pontos. Logo depois, fui para uma enfermaria esperar pelo meu bebezinho.

Sentia uma sede incrível e não sei por que também comecei a sangrar mais do que no final do parto. Perguntei a uma enfermeira se era normal aquilo. Ela disse que sim e mandou eu me acalmar. Eu tentei, mas tudo que sentia era tontura e vontade de vomitar. Comecei a ter ânsia de vômito. Uma senhora, que acompanhava a filha, viu e chamou a enfermeira que veio, botou um soro em mim e foi embora.

Quando trouxeram meu filho, ainda estava tonta. Contei com a solidariedade da senhora que havia me auxiliado a pedir ajuda para vestir o Lucas. A ânsia de vômito voltou. Desta vez, além da enfermeira veio também o médico que havia feito o meu parto. Ao levantarem o lençol constataram que eu estava tendo uma hemorragia, por isso fui novamente para a sala de parto.

O médico reabriu os pontos e me colocou um balão de oxigênio. Ao me examinar, ele disse que não sabia o que estava causando a hemorragia, pois o útero e todo o resto estavam aparentemente normais, sem qualquer laceração. Fui levada para outra sala, onde recebi soro e uma bolsa de sangue. Perguntei pelo meu bebê e disseram que iriam trazê-lo para ficar comigo. Passei a noite pedindo a Deus para que eu pudesse criar meu filho. Era terrível a idéia de morrer e deixar minha família.

Deus ouviu minhas preces. Hoje, quase quatro meses após o nascimento de Lucas, estou bem e cuidando do meu bebezinho. Toda vez que ele sorri para mim ou que o vejo com Isaías, agradeço a Ele por esta graça.

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14/01/2009 15:15
Foto do meu filhote lindo!


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14/01/2009 15:06
Sou mãe
Eita, fazia tempo que eu não postava nada nesse espaço, chamado blog, também, nos últimos meses passei bem ocupada. Cheia de tarefas de como gestar uma vida. Pois é, sou mãe agora. Minha vida deu uma reviravolta. Agora, estou cercada de fraldas, mamadeiras, brinquedos e coisas infantis que nem imaginava existir. E o melhor de tudo é que estou ADORANDO. Isso mesmo. É uma sensação única. Realmente, a maternidade muda a mulher. Sinto-me mais feminina, mais amada, mais cansada, mais feliz, mais tudo!

Foram nove meses de ansiedade. Lia desesperadamente tudo o que encontrava sobre gestação, enjoos, desejos, enxoval, quartinho do bebê, etc. e tal. O mais engraçado é que eu não procurava as pessoas que já haviam passado pela experiencia para obter informações ELAS É QUE ME PROCURAVAM PARA FALAR.

Foram meses emocionantes. Senti o chutes, os soluços (pois os neném soluçam dentro do útero), as mexidinhas, algumas contrações. Sem falar dos privilégios que tive, como passar a frente no supermercado, na fila de banco, nos serviços de atendimento ao consumidor. Era só exibir meu barrigão e pronto, sempre tinha uma ser humano emotivamente influenciado pelo meu Estado de Graça para conceder a vez... Foi lindo!

Quando meu filho nasceu, minha familia e a do meu marido ficaram numa tensão só. Mas no fim, tudo deu certo e hoje, orgulhosamente, ando por ai, com o meu rebento, que antes que alguém pergunte, digo que É LINDO E MUITO LINDO DE VIVER!.

Sim, João Lucas, esse é o nome do meu amorzão, é o filho que pedi a Deus. Sabido, exigente em seus choros, não tem cerimônia ao me acordar três ou mais vezes na noite... É tudo novo, gostoso, lindo e estimulante. Pois mais que eu esteja cansada (e acreditem, isso é quase sempre) estou pronta para atender ao meu filhote nas suas menores necessidades.

Mãe. Como essa palavra é linda. Agora, mais do que nunca.
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05/08/2008 15:37
Relato de uma sofredora...



Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por traz disso, e bota por traz nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada? Parei aí – Eu não sabia o que seria uma virilha cavada.
- Mas se era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, Às... Deixa eu ver...13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos.
Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas
bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata,
bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o
local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por traz delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas
a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- Ãh... Ãh, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.- Os pelos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De
repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, não?
Ela riu. Que situação. E então, passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com
os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo
supranatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia
esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter
aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas
recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas
topei. Quem está¡ na maca tem que se lascar mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de
Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, ta ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto. Se tivesse
sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas.
Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me
leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blá, blá, blá ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá¡?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, to sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe ao arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pã via. Mas ela estava de
cara para ele, o olho que nada via. Quantos haviam visto, à luz do dia,
aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pã?
- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego
falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com
mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil
cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria
justamente do meu entre tantos? E aí ­ me veio o pensamento: peraí­, mas tem
cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pã puxou a cera. Achei que a
bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só Pã arrancou qualquer coisa
que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a
história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a
bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a
cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais,
vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E
agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dã?
- Dã nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma
total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a
calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o
resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria
matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.


Um abraço,
Patrícia Cunha Lago



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10/07/2008 14:32
A mulher que tinha medo de viver

Vivia pensando na morte.
O esperar pela morte era a sua forma de vida.
Ninguém pediu para pensar diferente.
Ela, então, pensou que deveria continuar assim.

O medo a tomou. Não a morte.
A vida secou nos ossos dela.
Ela pendeu a cabeça. A espinha dorsal entortou.
Ela foi morrendo que nem flor.

A mulher que tinha medo de viver, engraçado, não tinha medo de morrer.
Foi caindo, secando, foi-se indo... Buscou a morte e a encontrou.
Ninguém ensinou a mulher a pensar diferente. Nem ela perguntou.

Ela foi. E a vida ficou.
A vida venceu a morte. Pois ficou. A mulher que foi. Perdeu não a morte, mas a vida que ficou.

Eu queria falar da mulher que não tinha medo. Que tinha vida. Que ignorava a morte. Mas ninguém me ensinou. - Mas falar de vida é preciso ser ensinado? Alguém perguntou.

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18/06/2008 15:34
Expressões tipicamente maranhenses

Posto um texto recebido por email, de autor desconhecido, sobre expressões tipicamente maranhenses. Qualquer coisa, se não entenderem, é só pegar um dicionário tipicamente maranhense...

UM DIA NA VIDA DE REGINETE

Reginete, a empregada da casa do Vieira, chega da Rua Grande toda querendo ser, de traca amarela, uma japonesa bandeirosa com pontuação 2 números acima da sua, rebolando e exibindo sua calça nova, daquelas bem apertadas e lá no rendengue, que comprou pra sair à noite. Logo gerou um bafafá dos invejosos da rua.

- Olha a barata do Vieira. Quer se aparecer! Tá escritinha uma fulêra!

- E tu parece uma nigrinha dando conta da vida dos outros - retruca à mulher Seu Barriga.

Porém, despertou também o interesse da molecada da rua. A galera do chucho parou para secar a moça. Até quem tava no desafiado. Guga largou de empinar seu papagaio aos gritos de 'lá vaiii lá vaiii...', sempre na guina para lancear melhor e com uma bimbarra reforçada, como proteção ao freio, e linha puída pelos amigos que sabotavam pisando nela, para admirar:

- Éguass Reginete! Tá bonita como quê!

- Hmmmm piqueno. O que é heim? Só porque to com minha calça nova? Comprei na Lobrás tá?!

Victor, o mais novo da turma, desinformado, questiona:

- O que é Lobrás?

- É uma loja, abestado. Ao pegado da Mesbla. Defronte as Pernambucanas. Onde a gente vai sempre capar bombom - corta Guga. Caverna, sempre casqueiro, largou sua curica, feita de talo de coqueiro e folha de caderno, e veio, catingando que só ele, arrumar cascaria com Guga.

- O quê que tu quer?! A nêga é minha.

- Hmmmm tu quer te amostrar pros teus pariceiro? Te dôle um bogue!!!

- Me dáli??? Rapá, tu não me trisca!!!

E a galera querendo ver o oco vem zilada jogar lenha na fogueira.

- Éééésseeeeee!!! Tá falando da tua mãe!!! Chamou de qualhira!

- Éééguasss... eu não deixava!!! Cospe aqui - diz Dudu estendendo a mão.

Mas Guga não entra na conversa dos amigos:

- Vocês só querem ver a caveira dos outros!

- Ihhh gelão... cagou ralo heim Guga!!! Tá aberando!!!

Até que chega Lombo, o mais velho da turma, que jogava peteca naquele momento. Ele tinha o costume de quebrar as petecas alheias na brincadeira do cai, dando um china-pau com seu cocão de aço, principalmente se fosse uma olho de gato. Utilizava, também, o recurso do olhinho, mas dificilmente só bilava. Pediu limpo, completou matança nas borrocas e depois foi pro casa ou bola. Às vezes porco ou leitão vistando. Ele intervem:

- Ê Caverna, tu já tá coisando os outros aí né?! Vaii já levar um sambacu!

- Hen heim. Vamo já te dar um malha - confirma Guga, aliviado com a intervenção de Lombo.

- Hen heim - ironiza Caverna imitando Guga com voz afeminada.

- Não me arremeda não!!! Olha o raspa!!!

- Ahhh... vai te lascar!!!

Depois do furdunço por sua causa, Reginete sai toda empolgada de lá e decide dar logo uma parada na quitanda da Zefinha, lembrando que seu Vieira havia pedido que ela comprasse alguns ingredientes para garantir o fim de semana, já que Dona Veridiana ainda não havia feito a Lusitana do mês.

- Oi Dona Zefa. Quero camarão seco pra botar na juçara da dona Veridiana e fazer arroz de cuxá? Me arrume 3 Jeneves também, 2 quilos de macaxeira, um lidileite alimba, 2 pães massa fina e 4 massa grossa! Ahh... e uma canihouse pro seu Vieira!

A senhora vai checar seu estoque no freezer e retorna:

- Ê essa outra... só tem Guaraná Jesus. Vais querer? Vais querer quantas mãozadas de camarão?

- Três mãozadas tá bom. E pode ser Jesus sim.

Ao chegar em casa com as compras, seu Vieira repreende a moça:

- Tu fica remancheando pra trazer o cumê. To urrando de fome aqui já! Cuida piquena!! Vou só banhar e quando voltar quero ver tudo pronto.

- Ô seu Vieira... o senhor é muito desinsufrido! Já to arreliada com uma confusão dos meninos na rua. Não me aguneia! Confie ni mim que faço tudo vuada! O senhor sabe que...

- Já seiii... tá bom... aí fala mais que a nêga do leite. Eu heim?! - seu Vieira interrompe.

Neste momento chega Marquinho, filho do seu Vieira, com a equipagem da Bolívia Querida toda suja. Sinal de mais trabalho pra Reginete. - Menino, olha essa tua roupa. Tava num chiqueiro era? Vai ficar encardidinha! Isso não sai não! E esses brinquedos?! Tudo esbandalhado! Aí não tem jeito! Olha... tá só o cieiro (ou ceroto, como queiram)!

- Tava jogando travinha com os moleques! Não enche e me dá logo esse refri aí que to com sede.

- Hum Hum. Isso é do seu Vieira!

- Marrapá! Por quê?! Deixa de canhenguice, piquena!

- Deixa eu cuidar comigo que ainda quero sair hoje pra radiola no clubão! Vai rolar só pedra!

Passada a janta, Reginete já exausta lava a louça e reflete sobre seu evento da noite: 'Já estou é aziada e as meninas não ligam. Amanhã começa mais um dia de trabalho e se sair hoje ainda fico lisa pro fim de semana!'. A moça muda de idéia segue sua rotina. Todos os preparativos para a noite foram em vão? Nãããã! O importante foi chamar a atenção e não se achar mais uma no meio da multidão!

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16/06/2008 14:27
Nordeste Independente
Se a imaginação nos falta, deve faltar o próprio ar. Se falta o tolo devaneio, nem é melhor falar em sonho. Se sonhar é melhor que viver, então, já não precisa mais ninguém de imaginação, mas de supetões!

Agora, de quebra, delicie as letras da música abaixo. A mesma me foi falada por alguém de muito apreço e que sabe do que é viver numa terra onde quem tem um olho é rei! Entenda o bom entendedor!

Nordeste Independente
Elba Ramalho
Composição: Bráulio Tavares/Ivanildo Vilanova

Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar

O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade,
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta




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11/06/2008 16:53




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11/06/2008 16:52





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11/06/2008 16:50
Fonte do Ribeirão
Dias desses, passei pela Rua do Ribeirão, em São Luís, e como não poderia deixar de ser, parei para observar o monumento daquela via que leva o mesmo nome da dita cuja. As carrancas de Netuno, assim como as cabeças de peixes (estilizadas, no meu entender), permaneciam como na época em que eu morava na Rua dos Afogados, mas a manutenção da Fonte do Ribeirão nem tanto!Lixo, roupas usadas e pedaços de folhas de palmeira tiravam o brilho da Fonte, um cartão postal da Ilha do Amor. Para completar a cena, um pequeno córrego, que serve de habitat para filhotes de peixes (ou serão girinos?) estava com a água suja e com sacos plásticos a entupir a passagem de água. Para ninguém dizer que estou criando fatos ou inventando histórias, há um registro fotográfico do que acabei de escrever... Isso, de repente, me faz pensar na situação da maioria dos monumentos brasileiros, nem sempre bem cuidados e preservados como merecem. Fotos: Isaías Brito
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27/05/2008 15:00



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27/05/2008 14:53
Nós
É indescritível. Então por que narrar. É inesquecível. Por isso, a importância de contar. É assim que eu entendo o que aconteceu naquele dia. Sim, naquele 17/05/08, foi o DIA. Não poderia ser diferente. Tudo amanheceu de outra forma. Meu quarto, que não era mais meu quarto. Minha casa, que não seria mais minha, mas a dos meus pais somente.Casamento. Mas o que é essa palavra? Enlace de dois seres que resolverem juntar suas vidas em um compromisso firmado no religioso e no civil, na presença de convidados e parentes, amigos, conhecidos e até anônimos. Assim, eu disse sim. Em primeiro, ao amor. Em segundo, à vida. Pois assim me sinto: viva e radiante. Mais alguma coisa eu posso dizer: foi a maior e melhor experiência da minha vida. Entrei no ambiente decorado em verde e branco, sob olhares de alegria, condescendência e apoio. Não era uma simples entrada. Era os meus últimos passos de solteira. Meus últimos minutos de EU. Quando sai, era NÓS. Bem, essas são minhas palavrinhas simples para descrever a sensação que tive na cerimônia de meu casamento. A minha foto, ao lado, mostrar o minha imensa alegria...
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14/03/2008 17:52
Nunca é o bastante
O mundo é uma roda-viva, ou melhor, é “uma laranja-mecânica”. Cíclico, insiste em seus erros. Amoral e insalubre, tudo julga com sabor despudorado!
“Esse é o nosso mundo”... Como diria Renato Russo e completaria “... E o que é demais, nunca é o bastante”. Mas do que falo? De política, de religião, de sociedade, de ética, de vida, de coisas que todo mundo sabe, mas ninguém quer admitir.

Para dizer da política, cito o caso do governador de Nova Iorque (EUA) que renunciou ao cargo após denúncia de envolvimento com uma rede de prostituição e quem era a “cafetina” dona do bordel? Uma brasileira. A postura dele? Só ele entendeu. O julgamento que ele passou? Só o povo americano sabe ser tão incisivo nisso!

De religião? Leio que evangélicos estão indignados por conta de uma cena da novela “Duas Caras” (Rede Globo) que mostrou “cristãos” da trama tentando linchar um trio romântico. No texto, um pastor diz que os religiosos não são assim, que a luta deles “é contra o diabo que faz a pessoas fazerem coisas ruins”! Ponto para nós! Assim fica fácil nos eximir da culpa de nossas ações. É tudo culpa do capiroto!

De outra feita, sobre sociedade, bem... Sobre ela mesma eu não leio nada. Apenas vejo fotos e mais fotos de gente que pensa que é famosa dando declarações esnobes sobre assuntos supérfluos. É, nossa sociedade é só de fotos e aparências!

Ética? Alguém sabe o conceito real e verdadeiro? Sobre ela eu me recuso a falar. Não costumo fazer declarações ou textos sobre algo que não acredito existir ou que não vejo, ou que nunca vi!

E para finalizar. Isso tudo poderia ser jogado em um liquidificador de sair INDIGNAÇÃO! Só.

Léa Martins | Deixe sua loucura aqui (0)



11/03/2008 17:52
Do que não tenho



Deveriam fazer um filme sobre as “grandes bordoadas que todo ser humano toma na vida”! A personagem principal, claro seria a vítima do destino, o pobre homem lançado à própria sorte por seus pares num mundo hostil e bestial.

A película deveria trazer locações de cena no inferno. Sim, inferno da alma. Do tumulto que é ser o ser e só! E pouco me importa quem passa por este blog e reclama das minhas vãs repetições!

Deveriam fazer um filme sobre o que é apanhar sem ter feito nada. Ser caçoado por ser gente e virar perdedor por nunca desistir. Aí, alguém dirá, há filosofia de botequim nesse texto! E eu direi, “tô nem aí”!

Mas, voltando ao longa que deveriam fazer e ainda não tiveram o desplante, a sem-vergonhice e o tempo-perdido de fabricar, o produtor não deveria se preocupar em fazer uma linguagem de fácil compreensão, mas uma só de berros, uivos e gemidos!

Acho que o gênero para o tal filme seria o do horror. Coisa comum nesses dias, não é? Quem iria se importar em ver um filme de terror com gritos e gemidos, já não os temos o bastante?!

É, deveriam fazer um filme sobre como encontrar conforto e conformidade com a partida de alguém muito estimado. Mas o roteiro não teria que se apoiar em livros de auto-ajuda ou em descobertas mirabolantes de curas, não! O texto deveria seguir o padrão que segue a vida. Ou seja, não há espaço para ilusões, tudo é o que é. Inclusive os seres humanos!



Léa Martins | Deixe sua loucura aqui (0)



04/03/2008 10:40
Aniversário
Posto aqui uma bela mensagem que recebi no meu niver, dia 02/03:

Léa,
[dedico algumas palavras de Mário Quintana, de Espelho Mágico]:

DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

beijão!

Léa Martins | Deixe sua loucura aqui (0)

 
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